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Armamento camuflado

Valmir Simões

 

Eu tinha mais ou menos meus 14 anos de idade e não esqueço daquele espaço na nossa residência que servia para guardar uma infinidade de armas de todos os tipos e calibres, todas lubrificadas engraxadas e enroladas em papel manteiga. As balas ficavam em outro ambiente, em caixas de madeira com cadeado e forradas com flanela. As caixas eram confeccionadas pelo Sr. Inocêncio Marceneiro, aquele que ficava numa esquina para quem subia para o Calumbi. Aquilo me intrigava bastante, seria para evitar ser serrado na Quinta-Feira Santa, na famosa Serra - Velha de Itiúba? Naquele dia o meu pai não passava um minuto dormindo porque tinha um medo horrivel de ser serrado e às vezes dizia: - Um dia eu mato um filho da ......ta, se isto acontecer. No entanto um amigo meu que colabora com os contos de Itiúba, recentemente me falou que ele havia sido serrado sim, à distância. Como seu fiel segurança ele contava com a destemida coragem do Zé Querino que dizia sempre: - Compadre, eu estou aqui para o que der e vier e não corro do pau. Os dois ficavam a noite toda com os olhos arregalados vendo o buzo tocar na redondeza. O “Segurança” adorava uma branquinha e de vez em quando mordia uma talagada, o que ia, aos poucos, minando os seus sentidos e os olhares antes bem vivos ia piscando com mais frequência, dando sinal de cansaço.

A coleção de armas:

1- Mosquetão (Arma usada pela Marinha )

1- Parabelo Alemão ano 1914 (Exército)

1- Rifle Winchester 44

2- Revólver Smith Oest

1- Cravinote

1- Espingarda de cartucho

1 - Fuzil (Exército)

 

Anos mais tarde apareceu um negociante da cidade de Serrinha e comprou todo o seu armamento, menos o Mosquetão que foi emprestado a uma família de Itiúba e nunca mais foi devolvido, embora estivesse ficando cada vez mais difícil encontrar munição para ele.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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