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O Namoro de Antigamente

Valmir Simões

 

 

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Em Itiúba, os dias de sábado e domingo eram especiais para o namoro em razão das festinhas, bailes etc. Às vezes, faço certas comparações entre o ontem e o hoje e as diferenças são gritantes, principalmente quanto ao relacionamento das pessoas. Naquele tempo era gostoso e romântico namorar, as garotas ficavam passeando pela praça e os rapazes procurando coragem para tentar uma aproximação. Alguns solicitavam músicas na Rádio Cultural em oferecimento à pessoa desejada e o locutor anunciava : - Esta gravação é dedicada a fulana de tal, com muito carinho. Às vezes, até informava a cor da roupa que a pessoa estava vestindo ou o local da avenida Getúlio Vargas onde ele ou ela se encontrava. Quando o namoro não ocorria na avenida, nos bailes tinha grandes chances de uma concretização. Durante o decorrer da festa havia trocas de olhares, e sinais de aceitação entre um e outro, depois acontecia o piscar de olhos, aí já era um bom caminho para que na próxima dança esta moça fosse a escolhida. O ato de colar os rostos somente depois de algum tempo de conhecimento, mas existiam uns afoitos que queriam de imediato partir para o rostinho colado e atracar a pretendente pela cintura, às vezes até dava, mas na maioria das vezes a mão era retirada pela moça e o rosto descolado. Aqueles mais respeitosos e acanhados evitavam o corpo colado, outros partiam para o roçar de corpos, dependia muito da moça se aceitava este procedimento ou não. As que aceitavam eram observadas e analisadas para os espertos, como sendo isca fácil. Depois do sim, era o andar de mãos dadas, conhecer a família e ao sair para qualquer lugar sempre era acompanhado da irmã ou do irmão que eram chamados de “Segura Vela”. Quando o namoro já estava enraizado era hora dos pais começarem a falar em casamento, aliança de compromisso, noivado, etc. Namorar em casa, participar de almoços e jantares, aí o cara começava a ficar enrolado e sem meios de saída. O comportamento do namoro em casa tinha uma grande diferença, para dar um beijinho olhava de um lado e de outro para ver se vinha alguém da família e tinha que ser bem rápido para não ser surpreendido. Era um namoro casto que durava anos para a concretização do casamento. Os rapazes tinham um desafogo, mas as moças procuravam guardar a virgindade para a noite de núpcias. Hoje em dia, conheceu, beijou, duas horas depois, já está na cama do motel. É o fim do mundo para os pais de hoje.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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