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Joaquim Bandeira

Hugo Pinto de Carvalho

 

 
 
Até os anos de 1960 perambulou pela cidade um pedinte cujo apelido era Joaquim Bandeira. Morava no Povoado de Picos, porém, estava diariamente nas ruas da cidade fazendo sua coleta de esmolas de casa em casa. Era alto, magro e de pouca conversa. O curioso é que ele não se utilizava de nenhum meio de transporte para este vai-e-vem. Fazia o percurso de 15 quilômetros diariamente, a pé, na ida e na volta, com seu inconfundível "bocapio" às costas e se apoiando numa vara, sempre andando pelo leito da estrada de ferro. E foi pelo motivo de só andar pela via férrea que lhe deram o apelido de "bandeira" numa comparação ao guarda da estação que acenava uma bandeira vermelha de um lado e verde do outro sinalizando a chegada e a saída dos trens. Ficou tão conhecido na cidade que a meninada costumava atormentá-lo imitando o apito do trem quando ele passava por uma rua o que ele replicava com alguns palavrões que só serviam para aumentar a gozação da turma. Corria um boato de que os maquinistas já o conheciam e, para não serem xingados, não apitavam quando o avistavam na linha do trem. Preferiam diminuir a velocidade do trem e segui-lo até a estação.

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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