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Notícias Velhas

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

No meu tempo de adolescente, em Itiúba não se tinha telefone, televisão, nem banca de jornais. Energia elétrica só à noite com o velho motor da Prefeitura Municipal e somente das 18h às 22h. Às 21h30min o Jovininho Eletricista dava um "sinal", apagando e acendendo rapidamente a luz, e todo mundo ficava sabendo que meia hora depois seria só escuridão. Quem não quisesse enfrentar as trevas e se arriscar a cair ou se esbarrar em alguma coisa, tinha que ir para casa rapidamente. Rádio ainda se podia ouvir, porém, somente em "ondas curtas" com o sinal fugindo e com a chiadeira horrível do rádio do Bar do Zé Dantas. Para se mandar ou receber uma notícia a única opção era o antigo telegrama dos correios que, devida à precariedade dos equipamentos, demorava quase uma semana para chegar ao destino. E, como miséria pouca é bobagem, como diz um adágio, também não existiam pontes sobre os rios Itapicuru-mirim e Jacurici que contornam o município. Quando chegavam as chuvas de verão os rios transbordavam e nenhum carro ou caminhão podia transpor os seus leitos. A cidade ficava isolada. Nessas ocasiões a única maneira de entrar ou sair da cidade era de trem porque a estrada de ferro não cruza com os citados rios.


 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com