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As Padarias

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

Até a década de 1960 existiam três padarias na cidade, todas com fornos aquecidos à lenha. Uma era a do Coronel Belarmino Pinto, cujo padeira era o contador de histórias Odilon, morador do Bairro do Calumbi. A outra era do Sr. Antônio de Castro, cujo padeiro era o Erondino, morador do Bairro do Alto do Vintém. A terceira e última era a do Sr. João de Castro, cujo padeiro era o Arsênio, irmão do João Martins da estação da Leste.

Para beneficiar a massa usavam apenas uns velhos maquinários chamados de "cilindros" que eram acionados manualmente pelos ajudantes dos padeiros. Além de pães e bolachas, também fabricavam, principalmente sob encomenda, uma guloseima com o nome de "besta" com a mesma massa do pão, porém, em forma arredondada como um pizza e caprichada com azeite doce, manteiga, pedaços de chouriça e muita gordura. Era bastante procurada, principalmente pela turma da cachaça e pelos seresteiros que varavam a noite. Só não entendi, até hoje, por que o nome de "besta".

Uma curiosidade. A padaria do Sr. João de Castro além de seus próprios produtos, também vendia fogos de artifício na época dos festejos de São João e, por incrível que pareça, nunca aconteceu um acidente. Sem dúvida, trata-se de um milagre, pois pólvora e fogo no mesmo estabelecimento era de se esperar um desastre!

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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