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Meu Pai e seus Cachorros

Fernando Pinto de Carvalho

 

 
Meu pai criou vários cachorros em nossa casa. Eles eram os seus inseparáveis e confiáveis companheiros em suas caçadas noturnas e diurnas.

Os donos das cachorras davam os seus filhotes ainda bem pequenos e meu pai só escolhia o novo morador da nossa residência após a verificação de alguns sinais que, para ele, indicavam se o cão seria bom “farejador” e caçador. Não me lembro mais quais eram esses sinais e o que cada um indicava. Antes mesmo de conhecer a nossa casa o cachorro recebia um nome que o acompanharia pela vida toda. Tivemos cachorros chamados Lince, Buldogue, Pelé, Mimoso...

Um dos últimos cachorros que meu pai teve foi justamente o Mimoso. Ele elogiava e gostava muito dele. Meu pai já estava ficando velho e começavam a aparecer alguns problemas de saúde, quando o Mimoso morreu e como ele havia sido seu fiel companheiro por muitos anos, fomos dar-lhe a notícia, no local do seu trabalho, com bastante cuidado, com medo da sua reação. Não sabíamos, porém, que ele amava os animais mas sabia aceitar o inevitável e surpresos ficamos nós. Ele disse: - Então vamos tomar as providências necessárias. Antes ele do que eu.

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com