A A r

Farinha de Bró

Valmir Simões

 

 

 

 

Meu filho abra sua mão, vou mostrar-lhe uma coisa que você nunca viu na sua vida. Colocou a mão dentro de uma mochila e tirou um pequeno pacote, abriu e começou a despejar, levemente, algo que mais parecia serragem na cor de ferrugem. Ela dizia que aquilo era a farinha do pobre que não tinha condição de comprar a farinha de mandioca. Naquela época nossa região passava por uma seca terrível e as pessoas com o poder aquisitivo menor derrubavam ouricurizeiros e aproveitavam uma parte do tronco cortando-o com machado em duas bandas e dali retiravam as fibras que eram colocadas ao sol, passadas na peneira e depois eram torradas para substituir a farinha de mandioca muito cara na época para as suas posses. Experimentei um pouco e o seu sabor era muito ruim, somente muita necessidade para um ser humano usar aquele produto como alimento. O que a fome não faz? Dizia a minha querida Dindinha Chiquinha.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com