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Ato de Vandalismo

Valmir Simões

 

 

 

 

Aconteceu entre os anos de 1962/63. Alguns jovens itiubenses, revoltados com uma decisão de um forte político local, resolveram fazer um protesto por não aceitar o que foi determinado. Como já se passaram muitos anos, não tenho a lembrança exata do real motivo que gerou tanta revolta em alguns jovens da sociedade local. O grupo foi organizado com mais ou menos oito pessoas destemidas e dispostas para o que desse e viesse, não imaginando, realmente, o que o ato poderia gerar de insatisfação junto a sociedade local, decidiram depredar a Escola Goes Calmon. No dia e horário marcados, após a meia noite, os jovens entraram na escola e passaram a destruir tudo o que viam pela frente, portas de sanitários foram arrombadas, descargas e tampas de sanitário foram retiradas e jogadas sobre as carteiras dos professores, tubulações de chumbo foram cortadas e arrancadas das paredes e os vidros das janelas foram quebrados. No dia seguinte não houve aula e a cidade toda ficou revoltada. A pergunta estava na boca de todos: “quem foram os responsáveis?”. Foi deslocado da cidade de Bomfim um Delegado especialmente para tratar deste caso e aí começaram os rumores: foi fulano, foi cicrano. Testemunhas para apontar os culpados, porém, não existiam. Começaram a investigar, aparecia o nome de um, por acaso, e este negava e perguntava onde estão as provas? Tive um amigo que certo tempo me confessou que procurou as autoridades com o objetivo de tirar “o dele” da reta, pois era inocente e foi incluído na lista de suspeitos por motivo político, outro amigo sumiu da cidade só aparecendo bem depois que a poeira baixou, outros foram chamados pelo delegado tomaram uns belos esporros em vão pois também não eram os culpados. Resultado os verdadeiros culpados hoje são sessentões, avós, que conhecemos muito bem e que na verdade devem ter feito uma jura para ninguém delatar um ao ou outro. Hoje em dia, depois de mais de 40 anos passados, encontram-se relembrando aquela noite e, com certeza, não aplaudiriam um ato tão deprimente daquela natureza se nos dias de hoje fosse executado por seus filhos ou netos. A vergonha e o arrependimento veio depois. Valeu a pena tanta revolta?

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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