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Enterraram a Serra-Velha

Valmir Simões

 

 

 

Em razão de tanto tempo ausente de minha terra natal, tenho conhecimento do que ocorre por lá somente através dos amigos que sempre me avisam: - Estou indo pra terrinha hoje. Com o coração apertado mando lembranças para os amigos itiubenses. Quando eles retornam apresso-me para saber das novidades. Muitas vezes tenho vontade de chegar até lá, no entanto, lembro-me de que a maioria dos meus amigos de infância Deus já levou e isto me causa muita tristeza e prefiro evitar. Na minha época a Serra-velha ainda existia, mas, foi sepultada com a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso. Naquele tempo, como a luz a motor diesel apagava lá por volta das onze horas e depois somente a luz da lua iluminava a cidade, surgia a oportunidade para a ação dos sopradores de buzo e os verdadeiros serradores com seus rosários, proferindo as ladainhas de conselhos para os “amaziados” oficializarem seus casamentos. Apesar da brincadeira ser realizada na Quinta-Feira da Semana Santa, na Sexta, respeitosamente, os jovens apreciavam a procissão mantendo o respeitoso silêncio. Nos dias de hoje a coisa é muito diferente, não existe mais o devido respeito pelas coisas de Deus, provocam algazarras, dificultam o trânsito das pessoas. Se hoje está assim, como será no futuro? Teremos a nossa procissão de sexta-feira nas ruas ou apenas o ato religioso dentro da igreja? Com a palavra as autoridades competentes. Quanto a nossa Serra-Velha sepultada somente os mais velhos presenciaram e os novos só conhecem através dos nossos relatos.

 

SOBRE A SERRA-VELHA LEIA TAMBÉM (Clique nos links abaixo):

- A SERRA VELHA (pág.06) - Fernando P. de Carvalho
- A SEXTA-FEIRA SANTA E O CRUZEIRO (pág.138) - Valmir Simões
- A SERRA-VELHA E O BANHO DE XIXI (pág.144) - Valmir Simões
- A SERRA-VELHA II (pág.150) - Humberto Pinto de Carvalho
- A SERRA-VELHA E A ARMA PERDIDA - (pág.165) - Valmir Simões

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com