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A Verdadeira "Tampa-de-Capuco"

Valmir Simões

 

 

 

 

A verdadeira aguardente é aquela que é fabricada nos engenhos de cana e possui certificação de sua pureza e qualidade superior, com sabor agradável e teor alcoólico dentro dos padrões estabelecidos por órgãos oficiais. No entanto, no interior, alguns botequins produziam uma mistura de álcool, açúcar e água e apelidavam de cachaça, sendo engarrafadas em litros e que em épocas mais remotas, não usavam rolhas e sim pedaços de capuco de milho para tampá-los, daí surgiu o nome popular de “Tampa de Capuco”. Por ser barata, o apreciador com pouco dinheiro no bolso fazia uma festa, satisfazendo os seus desejos, porém, logo estava adormecido pelos cantos, e, no final, a ressaca deixava-o com a cabeça a mil. Em razão do custo de fabricação ser bastante baixo, os efeitos para quem ingeria aquele “veneno” eram aterrorizantes, chegando ao ponto de no decorrer de algum tempo, estarem todos vestindo o “pijama de madeira”. Esse tipo de cachaça recebia muitos apelidos: Poca-Olho, Canjebrina, Engasga-Gato, Goro, Aquela-que-matou-o-Guarda, Água-que-passarinho-não-bebe e Incha-Pé. Em nossa terrinha não era diferente e o elemento começava a ficar com o rosto e os pés inchados e a pele com uma coloração amarelada, era o resultado da apreciação da “Tampa de Capuco”.

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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