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O Homem que as cobras temiam

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

Até os anos de 1950 viveu em Itiúba um cidadão filho da terra, pai de família, trabalhador respeitado por todos e que morava na Rua da Estação e tinha um forte e inexplicável poder sobre as cobras, fossem venenosas ou não.

Como até aquele ano era comum juntar grande quantidade de fardos de casca de angico para serem embarcados para os curtumes de Juazeiro e Alagoinhas, inevitavelmente o local se tornava um bom esconderijo de cobras. Quando chegava o dia de fazer o embarque no trem, isto depois de, às vezes, até um ano de acumulação, era grande o número desses ofídios no local e como todos já sabiam da fama e temiam as mordidas das cobras que poderiam causar até a morte, chegou uma ocasião em que não se achou mais ninguém que quisesse fazer a remoção dos fardos para os vagões. Criado o impasse e como os vagões não podiam ficar ali por muito tempo esperando, alguém teve a idéia de chamar o referido senhor pois ele poderia afugentar e até matar as cobras. Contam que ele, com longos e intermitentes assobios reuniu todas as serpentes ali acoitadas e depois de matar as mais venenosas, simplesmente dando um nó em cada uma, abriu um trilha com uma enxada em direção à mata próxima para onde as demais cobras se refugiaram rapidamente ao som de mais assobios. Depois disto, como o local ficou livre das serpentes, é claro que não faltou trabalhador para fazer o serviço.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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