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O Riacho do Coité

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

Invariavelmente, durante as fortes chuvas de verão que se iniciavam entre os meses de outubro e dezembro da cada ano, o Açude do Coité, ao sul da cidade, enchia com as correntezas do alto da Serra da Itiúba e transbordava jogando suas águas no leito do riacho que também se chamava Coité e aí iniciava uma carreira de mais de seis quilômetros até chegar ao Açude do Jenipapo, na zona norte. Como existiam várias cacimbas que ficavam vazias na época, muitas delas bem grandes e profundas, o percurso entre os dois açudes, às vezes, demorava dias para se completar. Era um espetáculo bonito, pois dava até para acompanhar a corrida das águas enchendo uma a uma as tais cacimbas, até chegar ao Açude do Jenipapo. Com as chuvas também surgia o fenômeno da multiplicação dos sapos numa infinidade de espécies, formando um verdadeiro exército pelas ruas e até invadindo as casas. Como o riacho atravessava toda a cidade era inevitável a invasão dos bichos e além do incômodo de dividir as ruas com eles a população ainda tinha de aturar a "cantoria" dos batráquios, uma chiadeira infernal, por várias noites, por mais de uma semana.

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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