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Frutas de Palma

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

 

 

Itiúba sempre experimentou grandes estiagens com secas de dois e três anos. Por necessidade, quase todos os criadores de gados caprinos e ovinos e outros animais, plantavam palmas de acordo com suas necessidades. Lembramos da “roça do governo” uma grande área que ficava no caminho do Açude Jenipapo, bem ao lado da estrada que vai para Filadélfia. Recordamos também as particulares. Uma que existia por trás da casa do senhor Manoel Pinto e da Fazenda Santa Helena, na subida da ladeira chamada “Calçada de Pedras”. Com certeza havia outras nas cercanias. Os fazendeiros plantavam suas palmas para garantir o sustento dos seus rebanhos nos momentos difíceis.

A palma é uma forrageira, que produz um fruto carnoso, adocicado, que se come quando maduro. Relembramos que sob o comando do nosso amigo Roga Cadidé, uma turma jovem saia em busca da saborosa fruta nas Fazendas Cercadinho e Gato, distantes seis quilômetros da cidade e na volta distribuía para quem pedisse, sem nada cobrar É uma prova, que valia a caminhada.

Existem duas espécies de palmas. Com ou sem espinhos. A espinhosa de folhas grandes, contem mais água e melhor polpa. A sem espinho tem folhas menores e consistência dura.

É sabido que, quem come a fruta de palmas e não tem cuidado de separar os caroços, paga caro por esta imprudência. Não se engole caroço, é regra. Qualquer descuido leva o guloso à constatação vexatória no dia seguinte, que está “entupido”. Seu intestino não consegue expelir o bolo fecal e dai vem o mal-estar conhecido de muitos itiubenses. Para aliviar o sofrimento e resolver só tomando uma “lavagem intestinal” ou apelar para a retirada dos caroços um a um pela “saída natural” usando uns pauzinhos finos sem ponta. Este trabalho era executado a porta fechada e sem comentário, para que “a vitima” não fosse gozada depois nas ruas. O “operador” ou operadora tinha que jurar que nunca falaria sobre este delicado assunto a ninguém. Coisas para se levar para o túmulo...

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com