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Pacote Surpresa

Valmir Simões

 

 

 

 

Criança faz estripulias do cão, fica matutando, inventando o que fazer. Comigo não foi diferente. Como tinha tempo de sobra, percebi que uma criatura de Itiúba era muito curiosa e em razão disso preparei uma armadilha para satisfazer a sua curiosidade. Meu pai sempre comprava o Jornal A Tarde que vinha de Salvador pelo trem e o Cândido (Vulgo Calango) fazia a entrega. Fui até o fundo do armazém de meu pai e fiz as minhas necessidades fisiológicas sobre um jornal inteiro aberto ao meio, depois amarrei de tal forma que nada escapava ou exalava e, em seguida, embrulhei em uma folha de papel manilhinha que era usada para embrulhos no estabelecimento comercial. No outro lado da rua estava à pessoa que serviria de isca, a Cantu, com seu tradicional cabo de vassoura e um bocapio em uma das mãos. Aproveitei o tempo e em frente à casa de seu Filó, sobre a calçada, larguei o pacote, só que antes da Cantu chegar até lá passou o Tombá, um antigo empregado dos meus avós e pegou o pacote, colocou debaixo dos braços e saiu. Eu procurei, por todos os meios, fazer com que ele desistisse, porém não obtive sucesso e acabei deixando que levasse consigo a surpresa. Por infelicidade, o tal pacote surpresa acabou sendo aberto pelos meus avós que “pintaram os diabos” com o coitado do Tombá

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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