O BAR DO ZÉ DANTAS

Hugo Pinto de Carvalho

O Bar do Zé Dantas era o ponto de encontro de quase todos os rapazes da cidade. Primeiro porque ficava bem no centro da cidade e segundo porque além de ter mesas de sinuca e bilhar os fregueses podiam tomar cervejas e refrigerantes geladinhos mesmo não existindo energia elétrica durante o dia.

Para conseguir isso eram utilizadas duas geladeiras a querosene que chegavam a fumaçar, quando o tempo estava muito quente, mas "davam conta do recado".

Quando o motor da luz "pifava" o Bar era iluminado por quatro lampiões tipo "Petromax", também a querosene, que, para funcionarem, necessitavam de "bombadas" manuais, de meia em meia hora. Para mantê-los acesos, com boa luminosidade, o Zé Dantas tinha que se virar dando "bombadas" até a hora de fechar o estabelecimento. Era até engraçado, às vezes, porque quem estava jogando sinuca ou bilhar tinha que parar e esperar os lampiões tomarem as tais "bombadas" para adquirirem pressão.

Devido ao alto preço e, também, porque o pessoal de lá gostava mesmo era de cerveja e cachaça, uma garrafa de uísque Cavalo Branco passou anos na prateleira sem que o Zé Dantas conseguisse vender uma dose sequer. Depois de muitos anos o famoso "White Horse" passou a mudar de cor. Ficou verde, depois laranja, depois amarelo...

Nas raras ocasiões em que o Zé Dantas resolvia tomar "umas" ele passava a usar um vocabulário muito peculiar. As pessoas que para ele não tinham caráter eram chamadas de "canalhocratas", os ignorantes de "animais de bico" e os não muito inteligentes de "jegaicos".

 

Colaboração do irmão Hugo

SOBRE OS BARES DE ITIÚBA LEIA TAMBÉM:
- O BAR DO CARLOS PIRES (pág.39) - Fernando P. de Carvalho
- 0 BAR DO ZÉ DANTAS (pág.35) - Hugo Pinto de Carvalho
- O COMEDOR DE SAPOS (pág.109) - Valmir Simões

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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