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O Mascate

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Lembro-me de quando eu era um garoto e conhecia um senhor que durante a semana percorria a cidade de ponta a ponta, oferecendo as suas mercadorias: chapéus de palha, esteiras, abanadores, vassouras, espanadores de fibra de sisal, rosários feitos de ouricurí, bocapios. Na cabeça ele levava vários chapéus, uns sobre os outros, nos ombros os cabos de vassouras enfiados nas alças dos bocapios, algumas esteiras enroladas e amarradas ao meio por uma corda de caroá transpassada nas costas, abanadores e espanadores nas mãos e, em um dos braços, um monte de rosários de ouricurí que eram vendidos para a meninada. O suor da curva do braço e a poeira do dia não modificavam o sabor dos ouricuris que, após a compra, eram colocados no pescoço e nós, os meninos da época, corríamos à vontade, comendo aqueles coquinhos saborosos.

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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