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Mosquitinho

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Antigamente existia uma brincadeira de mau gosto que geralmente acabava em briga ou em uma série de xingamentos que ofendiam toda a cadeia sucessória da família. Naquela velha Estação da Leste acontecia de tudo, como vasculhar a vida alheia, contar casos mal-assombrados, etc. Como, geralmente, esses assuntos eram tratados bem tarde da noite, para aqueles que ficavam batendo papo, esperando o sono chegar para ir para suas casas, alguns acabavam adormecendo e passavam a roncar que mais pareciam animais. Eram exatamente esses as vítimas do mosquitinho. O famoso mosquito era preparado da seguinte maneira: acendiam um palito de fósforo e deixavam que a chama o queimasse quase por inteiro. No carvão que ficava no palito, em uma das extremidades, era colocado ou um pouco de cera de abelha ou de ouvido e escolhia-se uma parte do corpo da vítima para apoiá-lo. O pedacinho de carvão era, então, aceso, sendo que quem estava por perto procurava cair fora e deixar acontecer o pior. Quando o carvãozinho ao fim queimava a vítima que dava um grito e levantava assustado, “pintando os diabos”. As partes do corpo em que mais se colocavam mosquitos eram as unhas dos pés e das mãos, testa e nariz. Algumas pessoas mais malvadas ainda colocavam uma pedra na mão do pobre coitado para que esse ao tentar retirar o mosquito batesse a pedra no local.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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