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Água de Gato

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Como todos sabem, a nossa Itiúba sempre foi muito carente no que diz respeito a água potável, por isso todos os habitantes da cidade, naquele tempo, possuíam enormes bicas, rodeando toda a residência, com a finalidade de aparar as águas das chuvas em tonéis ou tanques, pois eram os locais de armazenamento do precioso líquido. Muitas pessoas não cobriam os tanques de cimento que ficavam nos quintais para onde as bicas levavam a água. Na casa dos meus avós aconteceu o pior, existia um imenso tanque com capacidade para uns 30.000 litros, tinha a cobertura de telha, mas, em forma de chalé, onde os lados ficavam descobertos. A água era retirada com uma lata amarrada em uma corda que chamavam de bogó , despejada em uma vasilha maior e levada para o interior da casa onde era despejada nos potes depois de coada. Um dia, para a nossa surpresa, encontraram, dentro do tanque, um gato morto, já soltando os pelos, foi um horror, tiveram que esvaziar todo o reservatório. Imagine a aflição de jogar tanta água fora, onde a necessidade era grande.

Minha avó bradava, chateada:

- A gente estava bebendo água de gato...

Embora também chateados, achávamos muita graça dos seus dizeres.

 

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com