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O Açougue Municipal

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Velhos balcões de cimento serviam para expor os produtos. Na parte da frente ficavam as carnes de bovinos e nos fundos as carnes de suínos, ovinos e caprinos,. No velho piso de cimento queimado na cor vermelha, descansavam os cães, de olhos abertos, esperando os pedaços de pelancas que eram jogados em sua direção pelos açougueiros, na maioria seus próprios donos. Cachorro de açougueiro éera assim, acompanhava o dono em qualquer lugar, mesmo fora do seu ambiente de trabalho. Lá dentro do açougue, de vez em quando, a ciumeira da cachorrada, latindo e mordendo-se uns aos outros e por isso eram enxotados a pontapé, para fora do local. Acho que a razão da disputa dos animais eram os míseros farelos de carne e osso que espanavam de um velho cepo de madeira, em forma de tronco, que se encontrava ao lado dos balcões.

A carne era cortada ao gosto do freguês, pesada em uma balança não muito confiável em razão do ferrugem em suas engrenagens e ,com a faca, o açougueiro fazia um furo na carne e enfiava uma palha de ouricuri, davam um nó e o freguês saia satisfeiro, com a mercadoria pendurada entre os dedos. Nada de luvas, guarda-pó, touca, balcão frigorífico, barba aparada. E nenhum freguês morreu pela falta de higiene dos produtos vendidos naquele açougue.

 

 

 

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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