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Caruru, Bredo e Pega-pinto

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 
 

Qual a criança que não gosta da festa de Cosme e Damião? Em Itiúba não era diferente. A meninada esperava ansiosa a data de 27 de setembro, quando D. Firmina preparava uma panelada de caruru que era servido primeiro às crianças. No piso da sala de visita estendia uma toalha branca de mesa, toda bordada à máquina, e sempre frisava que para Cosme e Damião e Doum, não tinha economia em nada, pois os milagres que recebia desses santos só tinha agradecimentos a dar e era em razão desta promessa que fazia a festa. O caruru, além dos quiabos, era composto de folhas de uma planta chamada de bredo, muito comum nos quintais das casas e o pega-pinto, outra planta muito apreciada na mistura. Chamavam de pega-pinto por possuir um pendão em sua haste que ficava repleta de pequenas sementes e era muito apreciado por pintos e pássaros. Toda a meninada se fartava, não eram fornecidos talheres e se comia com um tipo de colher feita artesanalmente com pequenos pedaços de cunca de ouricurizeiro, fazia parte da promessa. Nos fundos da casa batiam tambores e cantavam, dançando em forma de roda. Era tudo muito interessante, no ambiente era só alegria. Em uma parte do quintal o seu esposo, um antigo maquinista da RFFLB, com um tição em uma das mãos, acendia foguetes de flecha dando louvores aos santos homenageados do dia.

 
 
                                                                    
 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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