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Caçatinga Mal-Assombrada

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 
Meu pai, José Simões, costumava contar-me algumas das suas proezas da época de solteiro. Era um rapaz farrista, para quem não sabe, tocava piston nas horas vagas, porém, nunca ganhou um centavo com a música. Toda sua vida foi dedicada ao comércio local. Certa vez, pela madrugada, vinha de bicicleta de uma festa lá do Itapicuru, juntamente com alguns amigos e ele era o único que portava arma, pois nunca se separava de um Máuzer Fn, arma capaz de romper o aço de uma enxada, como assim diziam. No meio do caminho, com o clarão da lua, observou algo que se mexia com o vento e apresentava, às vezes cor prateada, às vezes tonalidade escura e brilhava com a luminosidade da lua. Tinha o aspecto de uma pessoa muito alta em comparação com o ser humano. Todos pararam de cabelo em pé e meu pai gritou: - Quem está aí? O medo tomava conta do seu corpo e os amigos gritaram: - Zé já que ninguém responde "pica" fogo. Ele, então, tirou a arma e desferiu toda a munição que dispunha. Depois foram chegando bem mais próximo e descobriram que era um enorme pé de caçatinga mas que parecia uma pessoa se balançando com o vento. O medo fez um pé de caçatinga virar gente. No outro dia foi uma enorme gozação

 

 

 

              

                                      
 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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