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A Guerra de Carrapichos

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

 

Quando criança, estudando na Escola Góes Calmon (Itiúba), ali bem próximo da Estação Férrea, convivia com uma infinidade de colegas da mesma classe e quase todos do mesmo tamanho. A tradicional calça azul e camisa branca, uma gravatinha também na cor azul, sapatos pretos e meias brancas, completavam o fardamento. Antes do inicio da aula, o Hino Nacional era cantado com todo entusiasmo em respeito à Bandeira Nacional que aos poucos era içada ao topo do velho e ressecado mastro de madeira que ficava acima da porta de entrada da escola. Comportados, sentados nos seus devidos lugares, observavam as aulas. Após as nove horas já começavam a inquietar-se. Às dez horas, o velho relógio de madeira, com mostrador em algarismos romanos, repetia dez toques, a assistente saia à porta e sacudia, com toda força, uma sineta de latão, anunciando o inicio do recreio. A sala virava um inferno, cadeira revirada, todos querendo sair ao mesmo tempo por uma estreita porta, para ir ao fundo da Escola. Lá enchiam as mãos com feixes de carrapicho, designação das vagens de um pequeno arbusto muito comum na cidade, cujos pelos aderiam facilmente às roupas ou cabelos. Começava, então, uma guerra. Era carrapicho nas calças, na camisa, nos cabelos, nas meias... A parte do corpo onde eles pegavam ficavam doloridas por alguns dias e muitos ainda ficavam de castigo em razão dessa desagradável brincadeira.







 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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