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Vendedores de Angico

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

A caatinga, naquela época, era uma enorme fonte de renda. As máquinas da estrada de ferro consumiam muita lenha para aquecer as caldeiras das velhas máquinas chamadas de Maria Fumaça. O catingueiro destruía todo tipo de madeira para vender, em metros cúbicos, aos atravessadores que repassavam a mercadoria à Rede Ferroviária Federal, por uma valor muito superior. Outra fonte de renda era a retirada da casca do angico para vender aos curtumes de Salvador e Alagoinhas. Como se sabe, a casca do angico é composta de uma substância chamada de tanino que é largamente usada no processo de curtir peles de animais. Trata-se do angico-vermelho, aquele que era embarcado em fardos na estação ferroviária. Com o corte da lenha, a caatinga levava um tempo enorme para se recuperar da degradação, mas com o angico o processo era diferente e a planta era mantida viva pois somente a casca era retirada e, depois de um certo tempo, a árvore se recuperava e outra casca surgia.

 

 







 

                          

                                      
 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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