O TEIA

Fernando Pinto de Carvalho

O meu primo Edmar era o proprietário da Loja dos Tecidos que ficava no centro da cidade. Embora tecido fosse mesmo a principal mercadoria da loja, lá ele vendia de tudo, desde espelhos e vidros cortados na hora, até enfeites para caixão de defuntos.

Quando ele mesmo atendia às freguesas, só faltava botar a loja toda no balcão. Trazia peças e mais peças de tecido, às vezes para vender apenas um metro.

Era assim mesmo, muito trabalhador, mas quando chegava o carnaval, logo cedo ele aparecia vestido de mulher e só deixava a praça quando não aguentava mais ficar em pé. Gostava de chamar os outros de Teia e por isso ele mesmo ganhou esse apelido. Quando queria dizer que uma pessoa estava namorando exageradamente ele dizia que ela estava "escovando".

Certa vez eu vinha voltando de um baile carnavalesco noturno da 2 de Julho, quando ouvi um barulho de coisas jogadas com violência no chão e a voz do Edmar xingando alguém. Pensei "o Edmar está batendo em alguém e é mulher porque os nomes feios que pronuncia estão no feminino". Fui chegando devagarzinho, pensando no que eu poderia fazer para evitar aquela tragédia, quando a surpresa surgiu diante dos meus olhos. Ele xingava e batia na sua bicicleta porque, bêbado como estava, não conseguia manter-se nela nem por um segundo.

 

SOBRE OS CARNAVAIS DE ITIÚBA LEIA TAMBÉM:
- BEBIDAS PARA OS MÚSICOS (pág.73) Fernando P. de Carvalho
- LEMBRANÇAS DOS CARNAVAIS (pág.107) - Valmir Simões
- BENDITO QUEROSENE (pág.94) - Djalma dos Anjos
- MONOPÓLIO QUEBRADO (pág. 87) - Ivan de Carvalho
- O MASCARADO MISTERIOSO (pág.15) - Hugo Pinto de Carvalho
- O DESCONHECIDO (pág.30) - Djalma dos Anjos

- O CAVALO BRANCO DO CARNAVAL(pág72) - Hugo Pinto de Carvalho

- A CHUVA DE PEDRAS (pag. 01) - Fernando P. de Carvalho

- CARETA MALAGUETA (pág.360) - Valmir Simões

- A FANTASIA DE CAÇADOR (pág.380) - Hugo Pinto de Carvalho

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