A A r

Puxador de Fole

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Bem alí em frente a um robusto tamarineiro da Praça Nova, em uma antiga casa construída de adobão, com uma porta e uma janela, era o endereço do profissional mais conceituado, na arte de moldar o ferro e o aço na nossa cidade. Jovino , mais conhecido por Jovino Ferreiro, de tudo entendia um pouco, inteligente, transformava os velhos pedaços de mola de caminhão em cavadores, fazia facões e colocava os cabos com chifre de boi, uma obra de um verdadeiro artesão, consertava armas de fogo, fabricava feixos para espingarda de socar. A meninada que jogava bola na Praça Nova de vez em quando dava um pulinho até a tenda, como era conhecida, e lá ele dizia: - Puxa o fole um pouquinho enquanto eu moldo o ferro na bigorna. Em um dos cantos, uma montanha de carvão vegetal, combustível para alimentar a fornalha que ardia em brasa, no vai e vem do vento que vinha do fole. Por último mudou sua tenda para uma rua depois da Cacimba Funda, mas sua clientela continuou fiel.

 

 

 







 

                           

                                      
 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com