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O Hábito de Comprar Fiado

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Muitos armazéns de nossa cidade vendiam fiado, quem não vendesse, a sua clientela era muito reduzida. Desde uma caixa de fósforo, 250 grs. de sabão, ou um quilo de açúcar, tudo era fiado, a velha caderneta virava moeda corrente, se o comerciante não tivesse um certo capital, ficava difícil manter o comércio. Uns possuíam cadernetas, para confronto de anotações, outros diziam pendura aí depois eu passo aqui para pagar, este hábito era comum quando se tratava da compra de bebidas alcoólicas. Tinha casas comerciais que mantinham um quadro com uma caricatura na parede onde aparecia um gordinho de barriga para cima em uma espreguiçadeira e fumando um charuto, desfrutando da riqueza, e uma frase: este vendia a dinheiro e ao lado um comerciante esquelético, mais morto do que vivo, rodeado de ratos pelo chão, e a frase: Este vendia fiado.

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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