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Cassiano Único

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

Os loucos se tornaram tantos
que não se destacam mais nem na cidade grande
nem nos burgos pequenos e são transeuntes
despercebidos como todos nós.

Vamos cada um desvendando o mundo como nos convêm.

Cassiano de óculos escuros no ombro uma foice força estranha
fechava Itiúba quando passava negro
forte baixo e sabedor de que fazia medo e gostava disso.

Único na calçada no beco no armazém na praça.

Uma noite resolveu cantar na Rádio Cultural de Itiúba.
Em pânico Manoel Carlos chamou outros locutores,
mas ninguém o ouviu.

Recostou a foice deu-lhe uma caixa de fósforos
e começou a cantar segurando o microfone,
enquanto Manoel Carlos imitava Ciro Monteiro para não morrer.

 






 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com