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O Tratador do Hipopótamo

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

 

Era um motor Caterpillar
lembrando um hipopótamo
que causava incômodo.

Ensurdecia qualquer um por certo.
E Jovininho sentia ciúmes
se alguém chegasse perto.

Os dois pirraçavam a rua
e aos moradores de Itiúba,
como um jumento que de vez amua.

Quando queriam forneciam luz,
quando não, se apagam cedo
e o Jovininho se dizia: fui.

Um Caterpillar gerando energia
para uma cidade inteira...
só trabalhavam quando os dois queriam.

Em noite de festa era um inferno,
os dois mais pirraças fazendo.
Ficavam até às vinte e duas
“se apagando e se acendendo”.

Até que um dia a vingança chegou.
Veio energia de Paulo Afonso,
e deu-se adeus ao motor.

Jovininho ficou abalado
com saudades do hipopótamo
com quem tinha se acostumado.


Como é que ia dormir
sem o ronco do danado?






 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com