A A r

Embaixo não

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

O povoado
nasceu antes e parou.

O ar da serra não deixou.

No topo
os olhos viajam mais.

Onde há abelhas
as flores fecundadas voltam
carregadas de beleza. Alimentam?
Tanto faz.

Os frutos pendem generosos
das árvores sem dono

para que não dê trabalho
a colheita por quem vai passando.

O povoado nasceu
traído pelos olhos dos que o habitaram antes.

Suponho que olhando
o vale de areia e pedra depois Itiúba,
os índios se disseram com o coração:

Aqui na serra tudo é sagrado.
Embaixo, não.






 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com