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O Bolo da Cacimba Funda

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

 

Só os entendidos podiam dizer se eram águas
do mesmo veio subterrâneo rebentadas.

Uma se doava para a manhã nascente.
A outra quando a tarde descia ao poente.

As duas subjugaram a cidade ao tempo.
Água pouca fora do tempo virava vento.

Madrugada na Cacimba do Vintém
mulher serena não brigava com ninguém.

Quando o portão estreito se abria,
cada uma entrava apanhava água e se ia.

Tarde na Cacimba Funda. Bem diferente.
As mulheres chegavam tensas ferozes descontentes.

Que fila é essa? Quem vai obedecer?
Essa porta é estreita nem eu passo nem você...

Latas batendo, xingamentos, roupas rasgadas.
Mulheres exaustas. Cacimba intacta.

No final todas voltavam aliviadas
lembrando que outros afazeres as esperavam.


Imaginem os homens nessa função,
num tempo em que usar arma era distração.







 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com