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O Carpinteiro

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

O ofício de carpinteiro deu-lhe mansidão,
e um jeito de viver pouco imitado.

O tempo
não poderia ser violado.

Ainda que fizesse o que Deus mandou
e fosse de seu agrado.

Não aprendeu a decifrar uma palavra
mas não se queixava.

Iaiá sua mulher para ele lia tudo
era quase uma escrava.

Gostava de ouvir canções e histórias
sentados na calçada.

Iaiá em casa ou no cinema lia tudo
em voz alta.

Os dois se amavam
apesar das diferenças.

Ela gostava do carpinteiro
e ele de sua inteligência.

A casa tinha um cheiro de cedro
não trabalhado,

mais percebido quando
os dois ficavam em silêncio aproximados.

Uma tarde Acelino cortava um tronco
quando o sino bateu a Hora do Anjo.

O carpinteiro estancou o machado no ar,
e o padre assombrado quis perguntar.

O velho apontou na direção de sua casa
e apressado foi embora sem dizer nada.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com