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O Saxofone do Hélio

Egnaldo Paixão

 

 

 

 

 

 

...E quando a lua chegava
até à rua da Estação
lua cheia ou vazia,
lua leve do sertão
lua que até parecia
de tanto que seduzia,
lua de assombração,

Hélio Simões tocava
o seu sax de oitiva
com a força criativa
vinda do coração.

...E enquanto a lua dormia
na calçada da Estação
fazendo-se preguiçosa
como é vista no sertão,
lua chegando mansinho
no bico de um passarinho
e se deitando no chão,

Hélio Simões tocava
o seu sax bem choroso
de toque brando e amoroso
vindo do coração.

...E quando o trem se chegava
e logo depois partia
levando parte da lua
deixando a noite mais fria
não ficava ninguém triste.
Ainda que tanto insistisse,
a saudade não doía.

Hélio Simões tocava
o seu sax de oitiva
com tal força criativa,
que dor nenhuma o queria.

...Pois, Hélio, dos olhos, cego
e por dentro iluminado,
deixava todo o ambiente
cheirando a alecrim do mato,
que o sax dizer parecia:
semeio paz e alegria
com a luz que vem lá do alto.

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com