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A Briga de Galo

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Meu pai assinou uma rifa daquelas feitas em uma folha de papel pautado, contendo as numerações para concorrer pela loteria federal. O prêmio era um forte galo de briga. O Hermelino Açougueiro estava presente na hora e disse: - Compadre estou assinando apenas para colaborar, mas pode ficar com o prêmio, caso eu seja o sorteado, pois não gosto de colocar os bichinhos para brigar, sou totalmente contra, mas o Sr. adora essas coisas. Por sorte o bilhete foi premiado e o Hermelino levou o galo. Todo Domingo tinha um grupo que colocava os galos para brigar e lá foi o tal do galo para o local, conduzido pelo seu novo dono. Quem conheceu o Hermelino lembra que ele só enxergava com um olho, pois a outra visão estava há muito condenada. Lá para as tantas, no decorrer dos embates, uma pessoa gritou: - Tira o galo cego daí! Lá ninguém sabia que o Hermelino virava o cão quando era chamado de galo cego, um apelido que lhe tirava do sério. O galo cego em referencia era aquele da rifa, que já estava tomando pau, e não o Hermelino. Por pouco não aconteceu uma tremenda confusão.

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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