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O Apito da 501

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Naquele tempo, em razão da seca que assolava a nossa Itiúba, a salvação era a água escaldante que saía da caldeira das velhas Marias-Fumaça que trafegavam sobre os trilhos que ligavam a capital baiana à cidade de Juazeiro/Ba. A maioria dos maquinistas tinham um xodó ao longo do trecho. O fornecimento da água favorecia esta aproximação junto as mocinhas que iam a estação atrás do precioso líquido trazido pelas locomotivas e umas se beneficiavam mais do que outras, a depender de como se dirigiam ao maquinista ou ao foguista. Existia um maquinista que era considerado o Don Juan, Alto, pele clara, cabelos lisos e bem cuidados, o pente era seu amigo inseparável, motivo pelo qual era apelidado de “Penteado”. Como aviso para suas fãs, ao aproximar-se da cidade, começava a apitar de uma maneira que lhe era muito peculiar. Somente ele fazia isso, era uma marca registrada. Elas sabiam que era o Penteado que estava chegando. Até merenda gostosa vinha para aquele senhor. Com a mudança do tipo de locomotiva para as modernas movidas a óleo diesel, o velho maquinista aposentou-se.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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