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Os Ciganos dos Cambecas

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Velhas tendas cobertas de lona e rodeadas de chitão, velhos cavalos pangarés, verdadeiros esqueletos em pé, esta era a mercadoria de troca dos antigos ciganos que passavam um bom tempo lá nos Cambecas. Os Gajões eram espertalhões em fazer trocas de animais, o troco, era o lucro do negócio. O artesanato de cobre também era uma fonte de renda, vendiam na cidade tachos de cobre que eram muito usados na fabricação de doces caseiros. As ciganas costumavam marcar presença no local onde havia mais aglomeração de pessoas. Com um sorriso estampado no rosto, deixavam à mostra vários dentes de ouro, e, sobre ombros e costas, os longos cabelos lisos terminavam presos por pentes em forma de arco. Era uma marca registrada das ciganas, exibirem a beleza com seus corpos cobertos com longos vestidos de babados em cores esfuziantes. Tudo isso era um chamariz para atrair os otários, lendo a sorte pelas linhas marcadas na palma da mão. O truque era de que fosse colocado um dinheiro em uma de suas mãos, que logo ia ao fundo de um grande bolso que tinha na frente da saia, dali troco não saía jamais, e uma série de bobagens era colocada à tona. Assim eram os ciganos de nossa época lá nos Cambecas


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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