A A r

O Mata-Mosquito

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Uma velha bandeirola era colocada na frente de cada casa visitada. O pequeno tanque de veneno preso às costas tinha uma alavanca que quando era acionada dava pressão para que aquela água branca, de um odor insuportável, fosse borrifando as residências, por debaixo de camas, paredes e tudo mais que aquele senhor, com vestes amareladas, achasse conveniente. Após a conclusão do trabalho, retirava um toco de lápis do bolso e anotava num papel que ficava atrás das portas dos banheiros residenciais, o dia em que por ali passou. Era um senhor sem nome, funcionário da antiga Endemias Rurais do Ministério da Saúde, conhecido apenas como o Mata-Mosquito. O veneno era tão forte que baratas, ratos e pernilongos, tinham o mesmo destino: a morte certa. Acredito que de tanto envenenar os insetos e não ter uma proteção adequada para o seu trabalho diário, ele também, mais tarde, teve o mesmo destino daqueles que tantas vezes envenenou.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com