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No Tempo do Fifó

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Na velha Rua do Chamego existia um funileiro cujo nome não me recordo no momento. Era uma casa rústica que servia como residência e como oficina. Na sala da frente ficavam uma bigorna, um balcão e muitas ferramentas apropriadas para o seu trabalho. Fazia bicas e dutos para as casas recolherem a água da chuva, assim como conchas, medidas de azeite, funis, tudo confeccionado com folhas de zinco que eram compradas no “Bazar Popular” do Waldo Pitanga. Seu trabalho era puramente artesanal e não lhe faltava serviço. Latas vazias de óleo e manteiga eram a matéria prima para a confecção dos candeeiros, mais conhecidos por fifós ou bibianos. Sentado junto à porta de entrada ele tinha sempre ao seu lado um velho fogareiro em brasa e um ferro de solda branca que serviam para arrematar os cantos dos fifós que iam sendo fabricados. O pavio de algodão completava aquela engenhoca que, queimando o querosene Jacaré, produzia a luz nas casas pobres de nossa cidade. Às vezes um só fifó servia a toda a casa. Sob a luz do fifó os casais de namorados se ajeitavam como podiam.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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