DOIS MÚSICOS DE TALENTO

Humberto Pinto de Carvalho

Não faz muito tempo encontrei umas pautas sobre as quais se escrevia nota musical. Surpresa não foi achá-las. Surpresa foi ver o meu nome sendo homenageado como titular de um dobrado. Não me lembro de quem me prestou tamanha cortesia. Quero pedir desculpas ao bem intencionado Maestro da Filarmônica 2 de Julho, em Itiúba, mas, a memória falha nesses momentos de grandes emoções. Por motivo de verdadeira gratidão preciso lembrar este e outros fatos.

Quando estudante da Escola Góes Calmon tocava corneta e garbosamente seguia à frente da “Parada de 7 de Setembro”. Quando jovem tentei apreender saxofone com o compadre Ari. Embora um grande músico, não conseguiu o seu intento. Faltava a mim o dom e a habilidade para tal.

Em época distante para alguns e não para nós da Velha Guarda, se ouvia, no final das tardes, dois instrumentistas que, parados em locais diferentes, tocavam e deliciavam pobres e remediados. O Tonho do Correio que batia o bombo na Filarmônica, era a patativa itiubense com sua gaita e sua melodia que parecia querer se despedir do por do sol a cada dia. O Luizinho com seu trompete, combinados ou não, esperava que o Tonho terminasse sua canção e logo se ouvia o som que harmonizava o belo, o sacro e a união espiritual dos seres que, querendo ou mesmo sem querer, aguardavam o sino da Matriz badalar a “Ave Maria” às 18 horas e logo a genialidade de ambos preenchia o vazio do crepúsculo vespertino que, sem falsa modéstia, deve ser um dos mais bonitos, especialmente no decrescer da luminosidade solar entre as serras que circundam a velha Itiúba.

Certamente existiram outros grandes músicos nos idos tempos. Voltaremos ao assunto. É uma promessa.

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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