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O Fim do Panarício

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Ninguém pode imaginar a dor provocada por um panarício. É uma infecção aguda de origem bacteriana que atinge o dedo, faz qualquer homem chorar, por mais valente que seja. Meu avô me contou que certa vez na Fazenda Capoeira, existia um agregado que, pela cor e sua robustez, se tratava de um descendente de escravos, na verdade não era de duvidar, pois embaixo da antiga casa sede da fazenda, existia uma senzala e um grande tronco no meio chamado de pelourinho. Essa pessoa apareceu com um enorme panarício em um dos dedos da mão, precisamente no dedão da mão esquerda e não conseguia laçar os animais, nem cuidar corretamente dos afazeres do dia-a-dia. Todo remédio que ensinavam ele fazia, colocava em um pedaço de pano e amarrava no dedo. Levaram-no para Itiúba onde quiseram rasgar o dedo para extrair o panarício, mas ele não aceitou. Um dia viram-no amolando o facão em frente à casa grande enquanto falava: - Esse diabo de hoje não passa. Realmente a raiva e a dor foi tamanha que apoiou o dedo sobre um tronco de madeira, mirou o facão no dedo doente, mas fechou os olhos para não ver a desgraça, desferiu o facão na cega, em vez da cabeça do dedo, foi-se o dedão inteiro e mais um pedaço da mão. Se pôs a correr no pasto feito um maluco, com a mão pra cima. Tiveram que levar para Itiúba, mas pouco teve a fazer e ele ficou aleijado.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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