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Lamparinas de Carbureto

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Era garoto, tinha meus 10 anos, mas tenho uma lembrança bem viva em minha mente, como era aquela geringonça chamada por uns de lamparina e por outros de candeeiro. Quando era colocada sobre a mesa de nossa residência, mas parecia uma ave de bico longo, semelhante a um pato. Feita de latão era composta de um cilindro na parte do meio. Numa parte eram colocadas pedras de carbureto e em outra, água. Na extremidade uma válvula liberava a água que, em contato com o carbureto, provocava uma reação química, de um calor intenso em razão da fervura. Era, então, aceso um bico que desprendia uma chama azulada de uma luminosidade muito grande, mas com um cheiro não muito agradável. O Bazar Popular do Waldo Pitanga tinha estocados vários latões de carbureto, para suprir também as oficinas que usavam solda a oxigênio. Certas pessoas lá na Serra de Itiúba, naquela época, colocavam carbureto nas bananas verdes com a finalidade de antecipar o amadurecimento das frutas. Muitas pessoas se sentiam mal ao ingerirem esse alimento. Coisas daquele tempo.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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