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O Guaraná Gatinho

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Quem tem boa memória e foi daquela época, anos 60, lembra-se desse tal guaraná de nome bem sugestivo. Era envasado em garrafinhas e tinha um rótulo de papel com a cara de um gato. Conheci uns amigos que compravam pão lá na venda de meu pai, faziam um buraco em uma das extremidades, enchia-a de açúcar e compravam o tal refrigerante lá mesmo. Na venda não tinha geladeira e se fosse pela manhã o tal refrigerante estaria com uma temperatura mais amena, mas depois de meio-dia era uma quentura só, mas, mesmo assim, tinha uma boa vendagem, além do mais comprava e às vezes não pagava na hora ficando o pagamento para depois, o esquecimento tomava conta e ficava por isso mesmo. O açúcar que colocavam no pão não lhe custava nada, era só um pouquinho e não fazíamos conta disso. Ao abrir a garrafa, se despejasse o líquido no copo com certa altura, tudo se transformava em espuma, era uma química diferente, seu sabor era mais para garapa de açúcar do que para guaraná. No rótulo nem a procedência existia, só sei que vinha de Serrinha. Na feira dos sábados o catingueiro comprava para os filhos e meu pai dizia, eu vendo sem gelar pois não tenho geladeira e ele respondia precisa não, boto tudo no pé do pote e fica friinha, os menino gosta.

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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