TRÊS IRMÃOS... TRÊS VIDAS DIVERGENTES

Humberto P. de Carvalho

Todos nasceram no Povoado Itapicuru, distante seis quilômetros da cidade. Os dois primeiros, como meninos e homens, sempre se destacaram como trabalhadores e empreendedores. A irmã frequentou escola, o que não aconteceu com os seus dois irmãos. Ela era a queridinha da velha mãe e recebia dos manos a atenção que eles não tiveram.

Como explicar às novas gerações quem foi o Belarmino Pinto de Azeredo que hoje é homenageado e representado por nome de rua, colégio e um busto de cobre na cidade de Itiúba?

O mesmo se indaga quem foi o Manoel Pinto Primo, que não tem nome de rua, nem tampouco, quaisquer outras referências públicas?
Perguntar pela irmã Maria Pinto de Carvalho, nascida Maria Pinto de Azerêdo, seria descrever uma trajetória de amor, dedicação e carinho excepcional a dez filhos e um marido autodidata que chegou a Guarda-Livros (hoje contador) e que juntos educaram uma grande família.

O que sabemos da infância e adolescência do irmão Belarmino, como primeira indicação do seu gênio comercial, é que, aos oito anos de idade, ao receber um ovo de galinha para fritar, parou, refletiu e pediu a sua mãe Luíza para marcá-lo com carvão e colocá-lo no ninho para chocar e gerar um pinto.

Quando o pinto cresceu, trocou o galo por uma galinha e pouco depois já vendia pintainhos para os vizinhos. Daí para frente observava tudo que se consumia no arraial de então. Descobriu que lenha para cozinhar era bom negócio. Passou a cortar e vender lenha. Para levar a primeira carga pediu emprestado um jegue com cangalha e mostrou que nasceu para ser comerciante de sucesso.

O irmão Manoel, que era mais novo, acompanhava o mais velho, embora discordando de tudo, pois era um empreendedor e não um comerciante.

Dividiam os trabalhos e os lucros. Incentivou e fez valer sua vontade e compraram uma pequena tropa de animais. Continuaram no ramo de lenha para cozinhar e para abastecer as locomotivas da “linha de ferro” que passava e ainda passa até hoje por Itiúba.

Nós itiubenses estamos devendo a publicação das biografias desses dois. O primeiro destacou-se como negociante e homem público. O outro não ligava para política, mas, dotou o novo município de tudo aquilo que era chamado de progresso: fábricas de vinho, aguardente, vinagre, fósforo, sabão e outros. Instalou, com recursos próprios, uma usina geradora de energia elétrica que iluminava toda cidade. Construiu o Cine-Teatro e exibiu os primeiro filmes mudos na região. Quando chegou o momento do cinema falado lá estava ele com a aparelhagem adequada.

Todos nós temos histórias para contar. É chegada a hora de reunirmos numa biografia tudo sobre as vidas desses homens que impulsionaram as principais atividades do novo município a partir da sua emancipação política ocorrida em 1935, quando Itiúba, separada de Queimadas, mais e mais precisava mostrar que podia seguir o seu caminho independente.

Aqui fica a sugestão. Que se inicie a coleta dos dados e informações, antes que o tempo destrua tudo e Itiúba não pague esta dívida de gratidão e reconhecimento aos Irmãos Pinto de Azeredo.

 

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