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Saudades do Toucinho

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Ah! Bons tempos aqueles que ninguém se importava com nada, comia até ficar empachado e depois tomava uma gasosa de limão, arrotava e pronto, quando apresentava azia tomava Magnésia São Pelegrino, aquela que vinha em uma latinha com o santo estampado na tampa. Os chamados panos de toucinho ficavam inertes, esparramados sobre a velha bancada de cimento do nosso Açougue Municipal. Matéria prima “O porco” criado nos chiqueiros e alimentado pelas lavagens ou comendo porcarias nas ruas da cidade, tinha dois destinos, ou morria na faca ou com tiro desferido pelo Paulino, ou da espingarda Lazarina do seu subordinado. A higiene desses animais só Deus sabe. A perigosa Taenia Solium (Verme do Porco) se ingerida pode ocasionar sérios distúrbios estomacais ou, em certos casos, afetar o sistema nervoso. Quem queria saber disso? Ninguém. E tome ensopado de porco pra dentro, e as tripinhas fritas com farofa, acompanhadas com uma cerveja bem geladinha, ninguém agüentava, e os torresmos fritos, crocantes, misturados com farinha e nadando na gordura? Ah! Que saudade. Colesterol, o que era isso? Ninguém sabia. Nos dias de hoje, às vezes, imaginamos: a saúde está capenga, de braços dados com a idade e com a farra do gordureiro daquele tempo. Fazer o que? Vivemos para aproveitar os melhores momentos de nossa vida, antes que o velhinho nos convide para retornar.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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