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O Galo Assanhado

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

 

 

 

 

 

Quem viveu em Itiúba nas décadas de 1950 a 1970, conheceu ou ouviu falar do Bairro do Galo Assanhado, também chamado de Rua da Cacimba Funda. Como naquela época ainda não existia água encanada fornecida pela EMBASA, uma das poucas opções para quem não tinha reservatórios em suas residências era recorrer à água cristalina e potável que brotava do sopé da Laje Grande, administrada pela Prefeitura local. A fonte do líquido precioso era bem cuidada, totalmente murada, as chaves da porta em poder de um funcionário encarregado de abri-la e fechá-la em horários previamente estabelecidos pelo poder público. No seu interior, existia uma escadaria de cimento em forma de L, para facilitar o acesso dos consumidores.

Como o local era relativamente acanhado, as mulheres se aglomeravam em fila nas imediações e aí, então, acontecia o chamado Bolo, ou seja, as aguadeiras, na maioria das vezes, não obedeciam a fila e terminavam discutindo e até brigando , travando lutas corporais e com isso suas latas, que originalmente tinham sido utilizadas como recipientes de Querosene Jacaré, ficavam danificadas.

Naquela rua moravam e trabalhavam vários profissionais liberais, dentre os quais podemos citar Pedro Cajá, caçador de onça; o velho Jovino, ferreiro de primeira linha; seu Máximo, Dadá e Zezinho, bons pedreiros; Pedro Grosso, o borracheiro nota dez. Ali também moravam seu Sodré, Zezinho do Rola, seu Bastião, seu Dãozinho e o velho Pedro da Bilora.

Nos fins de semana, alguns moradores se excediam no consumo de bebidas alcoólicas e terminavam se desentendendo, mas as brigas não passavam de simples bate boca, uma tradição daquela comunidade.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com