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A Malhação do Judas

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Como era feito todos os anos, bem antes da Semana Santa, o festeiro João Martins já passava pelas casas de sua vizinhança, solicitando roupas, calçado, chapéu, camisa e gravata para vestir o Judas do Sábado de Aleluia, não faltando mulambos e sacos de estopa e linhagem para encher o corpo do satânico boneco. Algumas pessoas rejeitavam dar as suas vestes, por mais velhas que fossem, para vestir o Satanás, porque acreditavam que aquele ato lhes trariam agouro para o resto da vida. Os fogos ficavam a cargo do “Bango” lá da Rua do Chamego. Na noite do sábado lá estava em frente à pensão de D. Luiza, próximo à estação, um caibro de madeira enfiado no chão e o boneco todo bem vestido no alto, recheado de bombas. No horário determinado da noite, o João Martins acendia um caniço de pólvora, próximo as mãos do Juda e tudo virava fumaça, estampidos e fogo, destruindo a figura do traidor de Cristo. Os restos de roupas fumegantes se espalhavam por todo canto e a meninada caia de pau e pedra acabando de destroçar o que tinha sobrado. Após a queima dava-se inicio à festança no Clube dos Ferroviários, sob o comando de quem? Do saudoso festeiro João Martins.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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