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A Galinha de Molho-Pardo

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

No quintal da nossa casa foi construído um enorme poleiro, embaixo de um frondoso pé de Cipreste onde os urubus faziam morada, em razão da altura e da sombra dos seus galhos e folhagens. Composto de caibros, ripões, telhas e telas de arame, com o objetivo de criar galinhas caipiras, uma paixão de meu pai. No interior da construção existiam madeiras roliças para que as aves ficassem confortavelmente agasalhadas, locais específicos para postura, composto de três pequenos balaios forrados de tiras de pano e serragem, exclusivo para postura. Do distrito de Covas vieram duas capoeiras de galinhas poedeiras e um lindo galo, para tomar conta do pedaço.Um aribé em um dos cantos, continha água com gotas de creolina para evitar doenças no plantel. Ração não existia naquele tempo, a alimentação era milho e restos de comida. Com o decorrer do tempo, ninguém dava vencimento na quantidade de ovos. Galinha chocava, os ovos eram marcados com uma cruz com carvão, para evitar que se estragassem. A criação foi aumentando e o apetite voraz da família por galinha ao molho pardo, extrapolava o aumento do plantel. Anos depois, a criação foi dizimada, primeiro pelo trabalho desgastante, segundo, O cardápio ficou enjoativo.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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