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As Cordas de Caroá

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Ainda nos dias de hoje tenho lembranças daqueles vendedores de vassouras e cordas. As cordas eram confeccionadas com o legítimo caroá e eram jogadas sobre o pescoço. As vassouras eram amarradas em um feixe e colocadas sobre um dos ombros. Esses mascates do nosso artesanato regional perambulavam por toda a feira, no dia de sábado, oferecendo os seus produtos. As nossas residências, naquele tempo, eram varridas com essas vassouras de palha e as cordas eram bastante utilizadas no nosso dia-a-dia, com infinitas utilidades. Com o decorrer do tempo a nossa região intensificou a plantação do Algarve (Sisal), com muito sucesso no seu desenvolvimento, com boas produções de fibras, chegando a começar um intenso comércio com a capital, e, consequentemente, muitos empregos foram surgindo na cidade e no interior. As cordas de Caroá, com o aparecimento do sisal, que também servia para a sua confecção, passaram a ter sua aceitação diminuída. Nos dias de hoje tudo que era feito com o Caroá, agora é feito com a fibra do sisal, inclusive com um acabamento bem melhor, pois o Caroá apresentava uma fibra com resquícios de partes esverdeadas, em razão de um processo rústico na secagem da fibra.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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