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Saideira

Valmir Simões

 

 

 

 

 

 

Ainda garoto, ajudando meu pai lá na venda, observava que, juntinho ao balcão, na sua parte interna, ficava um caixote, com forma de degrau, para que eu atingisse a altura suficiente para o atendimento da freguesia. Eu já ficava imaginando a chegada do sábado, dia de feira livre na cidade, pois tinha que suportar os bêbados que, no término da feira, saiam com destino as suas residências, fossem na própria cidade ou nos distritos ou localidades próximas do município. Eu tinha que suportar aquela bebedeira infernal, daqueles que já vinham “puxando fogo” procedentes de outros botecos da cidade. Para vender “pinga” é preciso ter muita paciência. Eu ficava vermelho de raiva quando o pingunço falava: - Agora é a saideira, só essa. Era para mim a pior notícia, pois aí é que não saia tão cedo, era melhor que nada falasse. Às vezes eu dizia: - Não disse que era a última? Aí é que por pirraça ou não, mais contavam lorotas e jogavam pinga pra dentro. Diversas vezes, chegava a noite e era preciso ameaçar fechar as portas para que os indivíduos fossem embora.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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