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Uso do Chapéu

Humberto P. de Carvalho

 

 

 

 

 

 

Até pouco tempo o chapéu na cabeça de um homem do interior e da capital servia para proteção dos raios solares e chuvas, mas, também, emprestavam “um quê” de elegância nas classes abastadas e entre as celebridades.

Havia uma manobra comum no tirar e botar o chapéu, que ficou para a história, quando cavalheiros e cavaleiros saudavam uma senhora levantando a aba do chapéu com o dedo indicador em sinal de respeito, quer na rua, na igreja ou nos rodeios, com alternância entre as atrações. Belas e complexas engrenagens nos trejeitos marcavam cada tipo.

São por causas das constatações como essas que obedeciam a lógicas próprias, que motivaram outras demonstrações de saudações do tipo jogar o chapéu para a platéia, como até hoje faz o cantor Waldick Soriano.

Existem outras bizarras como o parlamentar que usa o chapéu de couro, com paletó e gravata. Claro, há exagero. Mesmo que desaprovadas essas mesuras, temos que reconhecer que faz parte da vida do ser humano, que adora gestos simbólicos.

Em nossos momentos nostálgicos pensamos que tudo era simples no passado. Entretanto, a nossa vida é complicada. Como saber a razão das pessoas pobres e ricas usarem chapéus quase que em obediência a um código não escrito?

Ao sair de casa ou do trabalho o cidadão colocava o boné, gorro, boina ou chapéu e cumpria o ritual de retirar quando entrava nos templos religiosos, acompanhava enterros, falava com as autoridades civis, militares e eclesiásticas. Outras vezes, simplesmente servia de abano para abrandar o calor em ambientes fechados. O chapéu sumiu de cena. Hoje o padre, o pastor, o Prefeito preferem o boné.

Apenas para recordar, ainda existem os chapéus de feltro, palha, náilon, couro, vaqueta, pano, lona, camurça, crochê com nomes conhecidos: campeiro, safári, caçador, social, pescador, pirata, mexicano, texano, zorro, mosqueteiro, santos dumont, tirolês, clássico, pantaneiro, cow-boy, arizona e muitos outros.

Com o desuso do chapéu, perderam as senhoras os cumprimentos formais, os templos e procissões religiosas aboliram essa praxe e as autoridades, embora guardadas as devidas proporções, ai estão à espera do retorno daqueles hábitos singelos e espontâneos, como uma forma de restabelecer o respeito nas solenidades públicas.


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com