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Apelidos de Itiubenses

Diversos

 

 

 

 

 

 

Iniciamos aqui uma história. Aquela de todos. Vamos escrever para nós todos itiubenses, com forte dose de singeleza, e vamos produzir, em conjunto, um trabalho inédito.

Designar ou chamar uma pessoa em circunstâncias supostamente assemelhadas ao seu verdadeiro nome, feitos ou defeitos é tão antigo quando a civilização humana. O sertão guarda apelidos para pessoas e coisas. Todos possuem o seu e por ironia, às vezes, mais de um. Pode ser apenas para aumentar a qualidade ou indicar um defeito moral ou físico. Razão não falta. No futebol são comuns os craques pedirem registros (Patentes) dos seus apelidos, com exclusividade de uso público ou privado, como é o caso do Pelé. Numa pesquisa de porta a porta, ficou provado que muitos indivíduos não são conhecidos pelo seu nome de batismo. Sempre há o Zé do Quebra-Queixo (que vende este tipo de doce) o Zé da Moqueca, o Joãozinho do Béu. Até os santos receberam os seus: casamenteiro para Santo Antônio, fogueteiro para São João e São Pedro o Guardião do Céu. Poucos sabem como se livrar da pecha. Alguns enfrentam o problema brincando com o apelido e acabam vencendo. È o caso do caro amigo Teixeirinha. Quando ele começou a estudar na Escola Góes Calmon eu já estava saindo. Lembro-me que ele apareceu com uma lâmina de papel-alumínio cor amarelo-ouro, pedindo aos colegas para colocar um “dente de ouro”. Muitos aceitavam. Outros recusavam alegando que ele não era discípulo do velho Teixeira, prático-dentista que residia na cidade. Daí o apelido que ele soube, como ninguém, incorporar. Seu nome verdadeiro, Raimundo Barreto de Freitas, não é tão conhecido como o seu apelido.

Debruçados no cotidiano das pessoas que conhecíamos e conhecemos procuramos extrair algumas pérolas sobre aspectos da invisibilidade dos apelidos que foram catalogados, com propósito apenas de desenvolver este trabalho, usando os personagens anônimos, aqui livremente transportados, ajustados e agrupados das pessoas que não escolheram os seus apelidos, com ou sem significados abrangentes e ao mesmo tempo sem conotações pejorativas.

Muitos apelidos atingiram os núcleos familiares, pela sua inocência perdida em busca de afeto entre amigos de infância como: Guinho, Jajá, Zequinha...

Este é termo central, sem abordagem das angustias e desesperos, que se revestem o tom quase documental. Não é uma história comum. Daí fugir ao tempo para oferecer aos itiubenses um trabalho pitoresco e nada mais.

 

O apelido sempre terá dois sentidos. Um jocoso sem malícia, puramente, despretensioso para quem inventa. O outro muitas vezes vira nome próprio e aceito. Quando agrada é porque a pessoa despreza o nome de batismo ou é até relacionado à sua personalidade. Quando desagrada vira insulto e agressão.

Seja qual for à origem deve-se respeitar o sentimento da pessoa, principalmente se ela não tolera a brincadeira. Tudo na vida tem hora para acontecer. Sempre o outro nome existiu como brincadeira de criança que, usualmente, é diminutivo do verdadeiro nome. Muitos são relacionados aos trejeitos, modo de pronunciar as palavras, do andar, do olhar e na sua maioria herança da família.

 

Devemos lembrar que este trabalho não deve ser usado para denegrir a imagem de ninguém. Muito menos servir como referência desrespeitosa O bom apelido é bom quando ajuda a entender que tudo se trata de um carinho.

 

É prudente ressaltar situações que a alcunha é importante para fazer alguém ri de si ou de outros. Tudo que vier depois teria de acontecer comigo ou com você. É assim que pensa o criador de caso que age no momento certo e põe o apedido em alguém.

Em cada esquina, a qualquer momento, existe um sujeito observador espreitando quem passa. Não perde tempo e descobre uma maneira de comparar o andar, a fala, o cabelo, os dentes, os olhos, os ombros, ou seja, quaisquer evidências que ajude a encontrar o apelido certo. Não admite que outro faça este serviço ou desserviço, que considera uma arte sua amparada no dom que carrega como seu. Essa ilusão coletiva existe de que tudo é real. É bom não esquecer que uma cidade de porte médio como Itiúba, cultua vários feitos, vários passados e vários futuros para adotar a tolerância e apreciar a lista que informa não a regra, mas, a vida explícita, inocentemente coletada por seus filhos, enteados e aderentes.

 

O que moldou o projeto é a verdade do registro dos fatos relacionados a nós itiubenses, que herdamos dos nossos antepassados a alegria e descontração como fórmula de compreender o lado jocoso das palavras e seus trocadilhos. Vamos lá.

 

 

O VACA

AIÓ

AMERICANO

ANU

ARVOREDO

AZULÃO

BABÃO

BACALHAU

BAGA

BAMBÁ

BANDUCA

BANGO

BARRÃOZINHO

BARATEIRO

BEBÉ

BEIJÁ

BEIJU

BELAU

BEM-TI- VI

BANDEIRA

BERÉ

BEREGA

BERRO GROSSO

BERUCA

BESOURO

BICUDO

BIDÓ

BIDUGA

BILA

BILÉU

BOLINHO

BILÔLA

BITELO

BOBO

BOCA

BOCA-MOLE

BOCA-RICA

BODÃO

BODE PRETO

BOLOLÓ

BOMBA-DE-BATER

BONECA

BORRACHEIRO

BOSTA-DOCE

BOTO

BRASA DO TREM

BRUÉLA

BUDINHA

BUIÃO-DE-PIXE

BURRA-FÊMEA

BURREGO

BUTÁ

CABEÇA

CABOCLA

CACHEADO

CACHORRO-MAGRO

CAFAFÁ

CAGA-LAMA

CALANGO

CAMBAMBÁ

CAMBÃO

CANCÃO

CANDEEIRO

CANHÃO

CANJIRÃO

CANTU

CAPITÃO

CARA-DE-JEQUE

CARAMBA

CARDEOLI

CARRINHO

CASCA-DE-JACA

CASUMBÉ

CATENTE

CAXIXA

CHAMPIÃO

CHAMPU

CHAPIÃO

CHAPOLIM

CHICO BRANCO

CHICO DA BETE

CHUMBREGA

CHURUMELABABAU

COCOTA

CONFUSÃO

CORROZINHO

CRAUNA

CURUJÃO

CURURU

CUSCUS

DANDU

DAZO GRANDE

DEDÉ-DA-DAMIANA

DEDÉ SOLDADO

DINÔ

DOIS DE OURO

DONZELO

DR. MINDU

DUDÉ

ÉIÉI

EMBURANEIRA

ENGOLE SAPO

ENTERRADO

ESCURINHO

ESPIRRO

ESQUINDINGUE

FANTOCHE

FEIRA-RUIM

FEIJÃO-CRU

FININHO

FLOZINHO

FORMA-DE-FAZER-MEDONHO

FREJE-BANHA

FUAMPA

FUZIL

GAITA

GALO-CEGO

GAMBÁ

GANCHINHO

GASOLINA

GATINHO

GEBARA

GEREBA

GIRU

GONGON

GOTEIRA (Zé)

GOVERNO

GUAIABA

GUFU

GUIGA

GULEGO

JANJÃO PABELÃO

JARAGUÁ

JEEP

JEGA-VELHA

JEGÃO

JEGUE-DE-BOTA

JINGA

JOÃO-DE-FERRO

JOÃO-DO-BOMBO

JURUNA

LABAREDA

LILA

LIQUIDA

LOLOTINHA

LUIZ-BOI

LUXUDUÍ

MADRUGA

MANCAMBIRA

MANÉ-TRINTA-E-UM

MANECA-TÁ-NO-TEU

MANEQUIM

MANGABIL

MANOEL GANCHINHO

MANU

MARIA PESCOÇO

MARIA-QUEBRA-VARA

MAXIXE-PELADO

MAUZINHO

MELÉ

MEU TONHO

MEXE-BEM

MOCOTÓ

MOELA

MOSQUITO-DE-FATO

MUDO-DO-CAMBÃO

MURIÇOCA

MUSSOLINI

NANA

MANÉ-QUÉ-PÓ

NANU

NEM

NORÃO

NARIZ-DE-PIMENTÃO

OLHO-CHORA-VINAGRE

OLIUDE

PALITO

PALUTA

PÃO-MIJADO

PASSARO-PRETO

PATA CHOCA

PAU-OCO

PÉ-DE-METRO

PÉ-DE-OURO

PEDRO CORONEL

PEDRO GROSSO

PEDRO-PELANCA

PEIXE BOI

PENICILINA

PEREBA

PEZÃO

PIÃO

PIMENTÃO

PINGÃO

PINICA-NA-GATA

PINTADINHA

PINTADINHO

PIOLHO

PIPIU

PIRÃO-DE-ONÇA

PIRIQUITA

PIROCA-DO-LINO

PIROCA-DENTÃO

PIROQUINHA

PISCA-PISCA

PISTON

PITIONGO

PITUCA

POCÓTÓ

POLIDORO

POMBA-MOLE

POPOZINHO

PREFEITO-DA-LAMA-DO-CORTE

QUEBRA-QUEIXO

QUEIXINHO

QUIMILAS

QUITU

RAPOSA

REGINHO

ROLA-DO-JOÃO

ROLINHA

ROXINHO

RUCA

SAGUIM

SÓIDA

SONRISAL

SANCHO PANÇA

SULU

SURUBIM

TAMORETE-DE-CABARÉ

PINTOR-DE-RODA-PÉ

TAMPA-DE-BINGA

TARUGO

TATATO

TEIA

TEIXEIRINHA

TEMTENHE

TETEIRO

TETEU

TICHITE

TOCO-DE-AMARRAR-BODE

TODO-FEIO

TOMBÁ

TONDÉ

TONHO-CANA

TONHO-CHAPÉU

TONHO-DE-IAIÁ

TONHO-DO-CORREIO

TONHO-VÉIO

TONTÉ

TOUREIRO

TOZADOR

TRES-QUINAS

TROÇO-DE-ONÇA

TRUBUFU

TUBINHO

VACA-BRABA

VAQUEIRO-DE-GALINHA

VAQUEIRO-DE-PERU

VELOCIDADE

VENTA-MELADA

VERDINHO

VERMELHO

XANDU

XANDUÍ

XANDUZINHO

XELÉU

XERIDAN

XERIFE

XINXA

XIXI

XOURES

ZÉ-DA-CABOCLA

ZÉ-DA-MOQUECA

ZÉ-DO-ÓLEO

ZÉ-DO-ROLA

ZÉ-TITELA

ZÉ-CAPÃO

ZÉ-PAPA-MEL

ZIRU

ZOINHO

ZOMINHO

 

OBSERVAÇÃO: Pedimos aos leitores que ajudem a enriquecer esta página, enviando apelidos de Itiúba que não constam desta relação, usando o e-mail: fpcarvalho@globo.com

Sobre apelidos vejam, também, a crônica abaixo:

ITIUBENSES COM NOMES EXÓTICOS de Antônio Ricardo Benevides


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com